O obreiro e o seu Deus verdadeiro

“Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”, 1 Co 8.6

INTRODUÇÃO

Todo obreiro deve “conhecer ao Senhor”, Os 6.3(a), e jamais usar o seu trabalho como um instrumento de fraude, como fizeram os “obreiros” dos fariseus, os quais chegando-se a Jesus, disseram: “Mestre, bem sabemos que és verdadeiro!”, Mt 22.16a . No verso 15, no entanto, percebemos a denúncia de uma intenção astuta. Conhecendo o Deus verdadeiro e único, como João testemunhou dizendo: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna!”, 1 Jo 5.20c, o obreiro estará, com sabedoria, edificando a si próprio e a igreja a qual cuida.

I – O DEUS VERDADEIRO DO OBREIRO: PAI E SENHOR

1. O verdadeiro Pai – Deus é o Pai da Criação, Pai de Israel, Pai de Jesus Cristo, Pai dos crentes salvos – e com grande especialidade, Pai do obreiro. Jesus ensina o obreiro como achegar-se a Ele: “Mas tu, quando orares, entre no teu aposento, e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em oculto; e teu Pai que vê secretamente, te recompensará”, Mt 6.6. Em 1 Jo 3.1 vemos o motivo pelo qual Deus é o Pai dos seus filhos obreiros: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus”. O motivo é: O GRANDE AMOR! Outro aspecto muito importante desse relacionamento entre o Pai e o obreiro está no Sl 89.20-26; o Pai se colocando como Defesa de seu cooperador, o obreiro.

2. O verdadeiro Senhor – O Senhor comanda o seu servo e a sua vocação: “Sofre pois, comigo, as aflições como bom soldado de Jesus Cristo. Ninguém que milita se embaraça com os negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”, 2 Tm 2.3,4. Que o obreiro milite, pois, pelo Senhor da Vinha, e clame como Tomé (muitos o criticam por haver duvidado da ressurreição de Jesus, porém se esquecem que ele sofreu o martírio por amor a Cristo) “Senhor meu e Deus meu”! a condição de servo sublima a posição do obreiro militante.

II – O OBREIRO DO DEUS VERDADEIRO: SACERDOTE E PROFETA

Filho e servo, o obreiro posiciona-se como sacerdote e profeta. Foi agraciado com dons, Ef 4.8b: dons espirituais, 1 Co 12.8-19, e dons ministeriais, Ef 4.11; 1 Co 12.4,5.

1. O obreiro sacerdote – Jesus é o grande exemplo nesse ministério, Sl 110.4; Hb 5.6; 7.17,21. No Antigo Testamento os sacerdotes terrenos eram tirados do meio do povo, Ex 28.1 (aqui, Arão e filhos), que passaram a oferecer sacrifícios “nas coisas concernentes a Deus a favor dos homens”, Hb 5.1. Da mesma forma o Espírito Santo continua a agir dizendo que Jesus “nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai”, Ap 1.6a. Jesus, pelo mesmo, falou a Paulo palavras nunca antes ouvidas, ou ditas, inspirando-o a pedir a Timóteo que a mesma obra fosse confiada “a homens fiéis” e idôneos, 2 Tm 2.2. “Também nós”, escreveu Pedro, “como pedras que vivem, sois edificados casa espiritual para serdes sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo”” 1 Pe 2.5. Essas “pedras que vivem” levam até junto de Deus suas necessidades, e as da Obra. O obreiro é SACERDOTE, voluntário, a trabalhar com vidas, levando-as diante de Deus!

2. O obreiro profeta – “O Senhor teu Deus te despertará um profeta do meio de ti”, Dt 18.15a. Jesus foi esse Profeta, exercendo eficazmente esse ofício, Jo 7.40. O profeta é designado como mensageiro de Deus ao anunciar a Sua Palavra (e não exclusivamente alguém predizendo o futuro). Os profetas do Antigo Testamento foram enviados para, além de predizer acontecimentos futuros, levar o advertimento, reforçar o ensino negligenciado, Jr 2.8 etc. e fazer o povo ver o Plano divino em sua história. No Novo Testamento, o profeta de Ef 4.11 “é aquele que fala obedecendo ao impulso duma repentina inspiração, à luz duma momentânea revelação” (Donald Gee). Se distingue do mestre por apelar à consciência do ouvinte através dos sentidos e emoções. O mestre, por sua vez, exerce no mesmo Espírito um ministério que apela para o raciocínio dos que o ouvem.

O Espírito Santo ilumina na mente do profeta um texto da Escritura, dando-lhe uma ideia ou pensamento a respeito de uma necessidade urgente (de âmbito global ou restrito), operando mais a intuição que a lógica, tudo através de uma divina inspiração. Ele revela ao povo aquilo que o Espírito Santo deseja dizer de acordo com a realidade e a necessidade do momento. Porém, quando o Senhor levanta do meio do seu povo alguém com esse glorioso ministério, não raro é atacado por Satanás que, inflamando ciúmes, o persegue. Moisés disse: “Quisera que todo o povo do Senhor fosse profeta, que o Senhor lhes desse o seu espírito!”, Nm 11.29b. O PROFETA traz a presença de Deus, dá o Pão do Céu para o povo necessitado! (Não confundamos aqui o profeta relacionado no livro de Efésios com o Dom de profecia. O conceito de ambos são diferentes).

III – O DEUS VERDADEIRO E O OBREIRO: AMBOS COOPERADORES

Cooperar é trabalhar em comum acordo. O obreiro coopera para o engrandecimento da Obra de Deus e louvor do seu nome, 1 Co 3.9a.; 6.1a. E Deus coopera com o obreiro, ao realizar todas as suas obras maravilhosas no meio do seu povo. Diz-nos o texto: “E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor”, Mc 16.20 a,b; e também “confirmando a palavra com os sinais que se seguiram”, Mc 16.20c.

Isac Rodrigues

Cevide

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