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Salmo 90: O que Moisés nos ensina sobre a urgência de viver

Por Débora C. Rodrigues da Costa (Colaboradora do Cevide)

Salmo 90: O que Moisés nos ensina sobre a urgência de viver

Você já parou para ler o Salmo 90 com calma? Vamos lá, você deve ter alguma Bíblia por aí. Pegue ela e acompanhe comigo. 

O Salmo 90 é um dos textos mais viscerais da história. Diferente da maioria dos demais salmos, ele não foi escrito no conforto do palácio pelo rei Davi, mas no calor implacável do deserto por um profeta que já estava cansado de ver a morte. Enquanto liderava o povo rumo à Terra Prometida, Moisés presenciou uma geração inteira ficar pelo caminho. 

O cenário era desolador. Primeiro, a morte espiritual: ele liderava um povo rebelde e ingrato. Imagine a paciência necessária para ouvir as reclamações de 600 mil homens dia e noite. Eles viram o Mar Vermelho se abrir, comeram o maná do céu, beberam água da rocha e viram suas roupas não envelhecerem. De dia, uma nuvem os protegia do sol escaldante; de noite, uma coluna de fogo para aquecê-los do frio. Viram a glória de Deus descer no Tabernáculo e, ainda assim, murmuravam. Isso levou à morte física. Por causa da rebelião, Deus declarou que aquela geração não veria a Terra Prometida. Moisés presenciou dezenas de funerais todos os dias, durante quarenta anos.

Cercado por poeira e finitude, ele escreveu o Salmo 90. O resultado? Uma oração que é um verdadeiro manifesto de sabedoria sobre a única coisa que realmente possuímos: o agora.

1. O choque com a realidade – Somos pó e sonho

O Salmo 90 começa com um choque de realidade necessário. Dos versos 1 ao 11, Moisés nos lembra que, diante do Deus Eterno, mil anos são como um suspiro que passou. Ele descreve a nossa vida com uma fragilidade poética e assustadora: somos como a erva que brota viçosa sob o sol da manhã, mas que ao cair da tarde já secou e morreu.

Ele confronta o nosso orgulho. Muitas vezes vivemos como se fôssemos imortais, gastando dias inteiros em conflitos inúteis, reclamações vazias e pecados escondidos. Mas Moisés traz a verdade à luz: a vida é curta demais para ser vivida de qualquer maneira. Cada funeral no deserto era um lembrete de que tudo passa rápido, o pecado encurta os dias e que a santidade de Deus não ignora o desperdício de uma existência.

2. O segredo de contar os dias

No centro do Salmo, no verso 12, encontramos o “ponto de virada”. É aqui que o texto deixa de ser um lamento e se torna uma oração poderosa:

“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.”

Moisés faz um pedido a Deus desesperado por instrução. Ele entende que existe uma diferença abissal entre “passar os dias” e “contar os dias”.

    • "Passar o dia" é sobreviver no piloto automático, sendo empurrado pelas circunstâncias.

    • "Contar o dia" é dar peso eterno a cada segundo. É entender que a matemática da vida não é sobre “viver mais”, mas sobre “viver com propósito”.

Saber contar os dias é alcançar a sabedoria de distinguir o urgente do importante, o temporal do eterno, o pecado da santidade. É parar de correr atrás do vento e começar a investir naquilo que a morte não pode tocar.

Um coração sábio prioriza pessoas em vez de coisas; pratica o perdão, porque viver no rancor é desperdício de tempo – um tempo que nós não temos. Um coração sábio diz “não” ao que é fútil e vive com gratidão no presente.

3. A restauração: A alegria que vem de manhã

Depois que Moisés se humilha e pede sabedoria, o tom do Salmo se transforma em uma súplica fervorosa por vida em abundância. A partir do verso 13 ele clama: “Volta-te, Senhor!”. Ele não quer esperar uma eternidade para ser feliz; ele pede a misericórdia de Deus logo cedo.

Moisés faz um pedido audacioso: ele pede que Deus derrame alegria na mesma medida (ou mais!) das tristezas que o povo enfrentou no passado. Isso nos ensina que, quando decidimos contar nossos dias sob a luz de Deus, Ele é capaz de restaurar o tempo perdido. Ele pega a nossa história, marcada por cansaço e pó, e a transforma em um cântico de gratidão.

Ele encerra com uma petição magnífica: “Confirma a obra das nossas mãos”. É o pedido de quem sabe que é passageiro, mas deseja que seu rastro no mundo seja divino. Ele pede que Deus toque no nosso trabalho comum para que ele não vire pó, mas permaneça como uma herança eterna.

Caro leitor, Moisés escreveu este Salmo para nos sacudir. Ele queria nos tirar da inércia da mediocridade e nos fazer perguntar: “O que eu estou fazendo com o presente que recebi hoje?”. Cada dia é um presente que Deus nos dá e que exige responsabilidade.

Aqui termino com o principal conselho deste Salmo: não deixe que seus dias apenas passem por você como areia entre os dedos. Reconheça sua fragilidade, peça ao Criador a sabedoria para gerir sua vida e mergulhe na alegria da presença dEle agora mesmo.

O tempo é curto, mas a vida pode ser profunda. Que a partir de hoje, você não apenas sobreviva ao deserto, mas aprenda a florescer nele, contando cada dia como uma oportunidade única de tocar a eternidade.



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