Há amor

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(Reflexão)

A moça disse, quando entrei no cabeleireiro: “Vou tirar este espelho daqui; a parede encheu-se de formigas!”. À resolução tomada pensei: “Formigas atrás do espelho? Sim, para a atendente, sujeira; para as formigas, nada mais que um novo lar! Acharam no espelho um refúgio secreto para implantar a felicidade, onde pudessem se amar e cuidar dos recém-nascidos!”. Lembrei-me de meu sogro, que exterminava as formigas de sua horta com água fervendo! Lá se iam maridos, mulheres, filhos, sociedades, exércitos! Lá se ia o lar de todas elas, onde com certeza, havia amor! As sobreviventes carregavam os seus mortos para um lugar determinado, ajuntavam deles centenas! Carregavam os ovos, brancos e reluzentes, a um outro lugar separado, preservando-os. Havia um corre-corre desenfreado no formigueiro atacado. Meu Deus, era o fim de tudo! Como imaginar tamanha dor? Porquê? Havia amor. Há amor nos animais, micróbios, bichos domésticos e selvagens, insetos, debaixo das pedras, nas cascas das árvores, no teto de casa, no sótão, no porão, atrás do armário, até debaixo do tapete! Há amor! Em todo o lugar! E nas casas de muitos homens sem lar, é isto que falta! Não devia.

Isac Rodrigues

Cevide

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