Encaramujado

De repente gelou o rosto; um vento frio, vindo não se sabe de onde, cobriu tudo de cinza, até as ideias, e tudo o que o cérebro esconde. Lá por dentro teve esperança, confiou, pensou que era esperança; sorriu, pensando que o sorriso era verdadeiro; esperou, pensando que ia alcançar, e ficou esperando, melancólico, sobrando apenas o restolho das sempre-vivas, e não alcançou.

Aconteceu que, gemendo, aquietou-se, encaramujado. Todo o seu brilho, sem entender o que aconteceu, desbotou; ofuscou todas as coisas, todas, até as sincréticas. Todo o seu riso, perdendo a beleza do riso, diminuiu, e tudo o que era formado pelo arco-íris da felicidade, virou num daqueles entardeceres tristes, prestes a escurecer completamente. E a sua noite, de fato, roubou tudo – como o ladrão da noite sem pedir licença – do raio de esperança à esperança. Cada tique-taque das horas da desdita noite era imensa martelada, doída, sofrivelmente doída!… É sempre assim, quando se enfada da espera. Também, de repente – repentinamente! – o sol desponta!, e esquenta a “casinha” dele! Desperta-se, vendo que já é dia, mexe-se, e sai para fora, para adentrar o jardim, muito naturalmente! Da mesma forma como encaramujou, fez som alegre!

A noite é passada para você? Chegou a hora de recomeçar tudo? Ele tem pressa! O sol traz um novo dia, pois “novas são cada manhã; grande é a tua fidelidade” (Lm 3.23)! Ademais, você tem muito o que fazer enquanto há sol!

Isac Rodrigues

Cevide

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