O único

o-unico

(Reflexão)

É à noite que a gente pode ver o infinito, o céu bem distante; quando não se pode fazer as coisas importantes do dia, senão isto: “Senhor, somente tu para aproximar o que está longe, muito longe. Deveras, não alcançaria tocar no sonho teu, que vi, que mostraste”. Entrementes, em vez de incandescer a minha expectativa, mais se aprofundam as horas, depois que o dia, com suas cores e luzes, deu lugar aos tons de cinza e tudo ao redor virou silhuetas escuras, dentre tantas disformidades.

É um cenário criado pelo Pai, este. Ambiente típico que usa para dar forma ao que não tem forma e vida real àquilo que é latente, dissimulado. Fê-lo assim, para que nada envolvesse mais a minha atenção, que seu desejo de ouvir-me. Daí que acolhe minhas lamúrias, meus monólogos, meus monossílabos inaudíveis, e os interpreta, no meio do meu vazio. Minhas reações adversas, estranhas até, não o surpreendem, porque sabe muito bem do quanto sofro por depender de sua ajuda. Nada poderia guiar-me certo não fosse sua mão, mesmo nos caminhos da adversidade. O único que poderia fazer-me atravessar as horas sem sol, o único que está pronto a surpreender-me com algo “muito, muito impossível”! – o amanhecer de um novo dia!

Isac Rodrigues

Cevide

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