O lobo e o cordeiro

lobo

Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado, de horrendo aspecto. “Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber?”, disse o monstro arreganhando os dentes. Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…”. O cordeirinho, trêmulo de medo, respondeu com inocência: “Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?”. Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta. Mas não deu o rabo a torcer. “Além disso”, inventou ele, “sei que você andou falando mal de mim o ano passado”. “Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci neste ano?”. Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu: “Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo”. “Como poderia ser o meu irmão mais velho, se sou filho único?”. O lobo, furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto: “Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!”. E – nhoque! – sangrou-o no pescoço. (Monteiro Lobato. Fábulas).
O lobo, malevolente, raivoso e vingativo, não tem piedade dos que são, naturalmente, fracos. Simboliza o príncipe deste mundo, que rouba, mata e destroi. “Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas”, Mt 10.16.
Isac Rodrigues

Cevide

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