A Maior Tortura (Parte II)

A maior tortura (Parte II)

Abaixo, um dos sonetos de Florbela Espanca, que revela a intensidade de sua amargura espiritual. Confessa que não encontrou a felicidade, que andou chorando o tempo todo, perseguida por uma imensa nostalgia…

Não havia alguma solução para os problemas interio-res de Florbela da Alma da Conceição Espanca? Muitos também sofrem, não somente nos dias atuais da existência, mas também em toda a escalada da história humana.

Jesus veio ao mundo dos perdidos para salvar almas sofredoras. Esta história parece ser um remédio conhecido demais…, até que os desesperados encontrem alívio quando fizerem o que mais deveria ser feito: clamarem por Ele – uma história que deixa de ser mera história para tornar-se numa experiência real aos cansados e oprimidos.

“Na vida, para mim, não há deleite / Ando a chorar convulsa noite e dia… / E não tenho uma sombra fugidia / Onde pouse a cabeça, onde me deite! // E nem flor de lilás tenho que enfeite / A minha atroz, imensa nostalgia!… / A minha pobre Mãe tão branca e fria / Deu-me a beber a Mágoa no seu leite! // Poeta, eu sou um cardo desprezado, / A urze que se pisa sob os pés. / Sou, como tu, um riso desgraçado! // Mas a minha tortura inda é maior: / Não ser poeta assim como tu és / Para gritar num verso a minha Dor!…”

Florbela

(Isac Rodrigues)

Cevide

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