Discurso de loucos

Discurso-de-loucos

(Reflexão)

Um louco deste mundo ao assomar a tribuna, com ares altivos, parecendo ser dono de tudo, dispara: “Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos… farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; e direi à minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga”, Lc 12.17-19. Inconsequentemente, tresloucado e irreverente, esnoba. Discorre o discurso à própria sorte, não preocupado com o que vem depois. Apenas discorre… Naquela noite foi pedida sua alma, e sem saber a quem a entregava, preferiu perdê-la em troca de algumas coisas. As coisas que achou serem mais caras que a própria alma.

Essas tribunas estão cheias de gente assim. Pronunciam a altas vozes os desejos terrenos. Tais bois levados ao matadouro, não se apercebem que a morte os espera. Quer dizer, muitos trocam a vida por nada, preferindo um momento de gozo fugaz e passageiro. Infelizes.

Assim, os discursos pipocam, ecoando pelo mundo. Rotulam a perversidade da escolha com uma propaganda mentirosa, que atrai rápido o próprio fim; um fim inesperado, que chega, sem advertência alguma, em hora não marcada.

Isac Rodrigues

Cevide

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